Olá pessoas! Como estão vocês?
Essa semana queria comentar sobre a repurcussão que teve os relatos da hashtag #meuartistasecreto. Seguindo a linha da hashtag #meuamigosecreto que rolou no ano passado, mulheres de todo o país começaram a relatar casos de abuso específicos de companheiros do meio artístico. Quem deu ínicio a esse movimento foi a ex-companheira de um musico da banda Apanhador Só de Porto Alegre, que por conta da repercussão, acabou cancelando seus próximos shows que já estavam com data marcada.
Os relatos acabaram tendo repercusões positivas e negativas. Muitas pessoas comentaram que não havia necessidade de expor as intimidades da relação e que essa exposição estaria incentivando uma onda de escrachos na pagina dos musicos. Sem contar os inumeros comentários culpando a vítima de querer aparecer em cima da banda, ou como se ela fosse uma ressentida amargurada infeliz pelo esplendido sucesso do seu ex-companheiro. Mas não é de hoje que nossos discursos são deslegitimados por acusações como essas.
Bom, em primeiro lugar, como mencionei acima, a mulher foi VÍTIMA de uma relação abusiva por cinco anos, e por mais que ela descreva que tenha cometido alguns "erros" nessa relação, sabemos muito bem que na sociedade patriarcal que vivemos desde sempre, as relações tendem a ser desiguais na própria estrutura, começando pelos privilégios que os homens desfrutam desde o ínicio de suas vidas nas relações familiares até as suas futuras relações afetivas. Nessa estrutura patriarcal, culturalmente enraizada na sociedade, nós mulheres, temos dificuldade de encontrar nosso verdadeiro espaço e assumir posturas dentro de uma relação e em todos os âmbitos da nossa vida. Não é dificil imaginar, que realmente estamos enlouquecendo com tantas dificuldades que encontramos em apenas - ser mulher.
Por mais desconstruído que esse homem possa ser, essa estrutura continuará presente na sociedade, enquanto ainda temos pouca, ou quase nenhuma representatividade nos espaços de poder pelas mulheres.
Todas as manas que conheço alegam já ter passado por uma relação abusiva em algum momento da sua vida. Eu mesma confesso que passei em quase todas as minhas relações com homens, por diversos tipos de abuso, físico, psicológico e emocional. Atualmente me identifico e estudo sobre o movimento feminista, ao mesmo tempo que tento evitar e lutar contra essas opressões todos os dias, mas nem por isso estou isenta de passar por uma situação de abuso novamente. A partir do momento que somos mulheres, estamos sujeitas a todo momento a sermos colocadas nesse lugar secundário, submisso e termos nossa voz silenciada. E isso precisa ser combatido a todo instante.
Por que é importante expormos casos de abuso como esses?
Não queremos escrachar os machos, acabar com as suas vidas e excluí-los da sociedade (As vezes da vontade sim rs). Mas sério, falando por mim e creio que algumas manas vão concordar, só queremos que minimamente se reconheça os abusos que cometem, os privilégios que possuem e desconstruam de verdade essas atitudes. Não cometam os mesmos erros com nenhuma mina novamente. E que chamem a atenção dos parça para essas questões. Não adianta ficar pagando de feministo e desconstruidão, cantando canções de como é linda a liberdade da mulher e agir como um escroto na sua relação, continuar dando risada e defendendo as atitudes dos amigo abusadores.
Não tem graça nenhuma para uma mulher que sofreu na mão de um cara, ver seu abusador cantando alegremente sobre questões do movimento feminista, pagando de desconstruído e sendo o ídolo de outras mulheres (que não tem idéia de como esse cara age no dia-a-dia), e nem sequer um pedido de desculpas, em todo esse tempo, o cara foi capaz de fazer.
Outro relato que me deixou chateada, porém não surpresa, foi da ex-companheira do rezador e condutor de trabalhos com ayahuasca, Ale de Maria, muito conhecido por suas canções de rezo com letras de espiritualidade e até do sagrado feminino. Esse é outro ponto que eu queria chegar. Estamos falando de abuso no meio artístico, mas gostaria de falar também sobre os bizarros casos de abuso no meio de cerimônias que trabalham a espiritualidade, principalmente com medicinas como a Ayahuasca.
Quando você decide ir a um lugar como esse, muito provavelmente você está buscando um espaço para trabalhar sua espiritualidade, pode estar buscando um auxílio, uma orientação, por vezes pode se encontrar numa situação um pouco mais delicada e a própria medicina te deixa mais sensível e conectada com as suas emoções. Esse espaço que deveria ser de extremo respeito por trabalhar com emoções tão profundas, muitas vezes é utilizado pelos caras para se auto promoverem e abusarem de minas que estão em situação de vulnerabilidade. Não estou dizendo que todos os lugares conduzidos por homens são adeptos dessa prática, alguns realmente trabalham com seriedade, mas dentre tantos que existem por aí, são poucos que realmente refletem sobre essa questão.
Passei por uma situação assim há um tempo atrás, estava vivendo um momento delicado, e durante um ritual de ayahuasca, um rapaz se sentou do meu lado, ficou me secando por um bom tempo e num momento de muita fragilidade, aproveitou para colocar a mão na minha coxa. Eu estava muito envolvida nos efeitos da medicina e a única coisa que consegui fazer naquele momento foi me afastar. Fiquei muito mal até o final do trabalho, quando decidi conversar com os guardiões sobre o que tinha ocorrido.
Não expus ele naquele dia, porque o próprio ambiente causa um certo "tabu" de falar sobre esses assuntos "polêmicos", e pela dificuldade que temos em lidar com essas situações. Mas fiquei refletindo sobre isso por um bom tempo, e a conclusão que chego é que provavelmente esse rapaz continue agindo assim com outras mulheres, em outros espaços e nenhuma atitude é tomada.
Ah, mas vai expor o cara desse jeito, vai acabar com a vida dele.... Pois é né, tadinho dele.... mas a mana que foi abusada fica como? Porque ela também foi exposta a uma situação constrangedora.
Não sou de apoiar nenhum tipo de escracho, mas se os caras nao conseguem reconhecer como agiram e continuam tomando atitudes escrotas, não merecem admiração e nem o nosso aplauso.
Existe uma pagina que agrupou todos os relatos, e em alguns casos os caras tiveram um posicionamento bacana e houve até reconciliação. Para algumas pessoas a pagina é controversa, mas achei interessante por levantar um debate que precisa ser feito e amparar as minas que realmente precisam de apoio.
A página também dá um feedbeck de como os caras estão se posicionando:
https://medium.com/@apoieacena/bandas-brasileiras-que-voc%C3%AA-deveria-evitar-394d5f3725d8
Ofereço meu total apoio a todas as mulheres que são e foram abusadas por seus companheiros para que tenham voz e muita força para sair dessa situação.
Falar sobre as nossas dores pode ser uma maneira de cura-las. E que nossos relatos possam evitar que outras mulheres sejam abusadas.
quinta-feira, 24 de agosto de 2017
Sobre os relatos do #meuartistasecreto
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
O Acre existe sim! E tem mais história e cultura do que você imagina.
Olá pessoal, quanto tempo!
Hoje faz duas semanas que criei este blog, e infelizmente não consegui alimentar ele como eu gostaria, desde que voltei para São Paulo ainda não consegui colocar minha vida em ordem, são tantas burocracias para serem resolvidas e o ritmo dessa cidade deixa a gente pirada.
Sinto que não estou me readaptando totalmente a essa volta.
O estilo de vida que a gente leva nessa cidade é insano. Tem hora que da vontade de sair correndo por aí, sem rumo, gritando loucamente. As vezes sou invadida por um sentimento de tristeza e desanimo, por não conseguir dar conta de tantas cobranças que esse ritmo de vida nos impõe.
Por isso tantas pessoas estão ficando doentes emocionalmente. Não é de se estranhar você encontrar com amigos que estejam vivendo a mesma situação. Estamos todos no mesmo barco desnorteado e sem direção, prestes a afundar. Pelo estilo de vida, pelas cobranças, pela situação política que se encontra o país e mais ainda pela falta de atitude nossa perante a tudo isso. Estamos inertes e não sabemos como sair disso.
Quero muito poder escrever e aprofundar sobre essa questão. A todxs as minhas amigas e amigos que estão passando por essa situação, como eu, receba um abraço caloroso de “tamo junto”. Quem quiser bater um papo mais profundo, pode me chamar no inbox. É noix.
Mas hoje eu gostaria de falar um pouco mais sobre outro assunto:
Sobre o estado do Acre. Nessa semana recebemos a notícia do reaparecimento do tão falado "menino do Acre", e com ela, como não poderia faltar nesse Brazilzão, os famosos memes.
Alguns desses memes estavam mesmo divertidíssimos (Eu amo a internet e a criatividade do brasileiro!), mas vi alguns que faziam referências negativas ao Acre, como um estado que não pertence a nada, no fim do mundo, fora do mapa, invisível.
Realmente eu entendo que não tivemos uma educação que tenha nos ensinado sobre a história e cultura de cada lugar desse extenso país, por isso alguns lugares possam parecer invisíveis aos nossos olhos, mas eles existem sim, e o Acre tem muito mais história e cultura do que a gente imagina.
Vou contar um pouquinho da história do estado pra vocês.
Durante a colonização, o atual estado do Acre passou a fazer parte da América espanhola, de acordo com os tratados entre espanhóis e portugueses. Após a independência das colônias espanholas, o Brasil reconheceu aquela área como boliviana através do tratado de Ayacucho (1867). Porém, não havia nenhuma ocupação do território por parte da Bolívia, em parte por ser uma região de difícil acesso por outro caminho que não a bacia do Rio Amazonas. Em virtude da abundancia da seringueira e do ciclo da borracha que estava se iniciando, colonos brasileiros e muitos nordestinos, fugindo da terrível seca que tomou conta do nordeste, tinham iniciado a ocupação do Acre em 1852, tendo essa imigração atingido proporções muito grandes a partir de 1877. O governo boliviano foi informado sobre essa ocupação de Puerto Alonso, que mais tarde foi nomeado para Porto Acre, e após algumas disputas territoriais conflituosas, o Brasil e a Bolívia começaram os tratados diplomáticos, iniciados e praticamente forçados pelo ministro do exterior, o Barão do Rio Branco.
Em 1903, os países assinam o tratado de Petrópolis, onde a Bolívia abriria mão de todo o Acre em troca de territórios brasileiros do Estado do Mato Grosso, mais o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas e a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, com o objetivo de permitir o escoamento da produção da borracha.
Logo após a anexação do Acre ao Brasil, os acreanos esperavam pela sua elevação a Estado o mais rápido possível, uma vez que nessa época (Auge do Ciclo da Borracha) o Acre representava 1/3 do PIB brasileiro. Porém após diversas tentativas e revoltas de movimentos autonomistas que foram sufocados pelo governo brasileiro, o Acre só foi elevado a condição de estado em 1962 durante a fase parlamentarista do presidente João Goulart.
Embora a região do Acre não estivesse sido ocupada por bolivianos naquela época, é importante mencionar que na segunda metade do século XIX, viviam cerca de 150 mil índios, distribuídos em 50 povos só no território acreano.
Em 1989, o numero de índios havia caído para de cerca de 5 mil. No ano de 2001, a FUNAI notificou a existência de 10.478 índios em todo estado do Acre, distribuídos em 12 povos. Esse pequeno aumento pode ser explicado pela atuação de organizações indigenistas.
As causas da diminuição demográfica indígena se dão pelos diversos conflitos e assassinatos cometidos pelos seringalistas brasileiros, pelos coletores de “drogas do sertão” (produtos típicos da região: cacau, castanha, ervas aromáticas e plantas medicinais), pelos caucheiros peruanos e soldados bolivianos. Além das doenças transmitidas pelo homem branco, em que o índio não tinha nenhuma resistência física para essas enfermidades, e assassinatos cometidos por capangas de fazendeiros a partir dos anos 70. Os caucheiros eram nômades, por isso se constituíram num dos principais inimigos dos indígenas, já que eram impelidos a desbravação contínua de novos territórios. As “correrias” eram organizadas por seringalistas que reuniam até 50 homens armados para atacarem as aldeias, matavam os líderes, escravizavam vários índios e cooptavam as índias para servirem de mulheres no seringal.
Entre os órgãos indigenistas mencionados, existe a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) que foi criada em 1967 e instalada no Acre em 1976, com o objetivo de prestar assistência as comunidades indígenas, vitimas das empresas agropecuárias. Durante muitos anos, a FUNAI limitou-se a delimitar terras indígenas, ao invés de demarca-las. Atualmente no Acre existem 17 terras indígenas esperando por demarcação. A assistência médica aos índios também ainda é muito precária. Atualmente a política da FUNAI é de que não sejam feitos contatos com os índios isolados, apenas os localizando e delimitando a área na qual vivem para impedir a entrada de brancos.
Outros órgãos foram criados para subsidiar a luta indígena como a Comissão Pró-índio (CPI/AC), Conselho de Missão entre Índios (COMIN), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a União das Nações Indígenas do Acre (UNI), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e em 2000 foi criada a Organização dos professores indígenas o Acre (OPIA) com o objetivo de promover a educação escolar indígena de forma diferenciada.
Existem outros movimentos e organizações indigenistas atualmente que você pode encontrar nesse link: pib.socioambiental.org
Embora existam esses movimentos e organizações de orientação e auxilio as questões indígenas, ainda é muito pouco comparado as ações que necessitam ser feitas nas aldeias e comunidades. E esse é um ponto que me tocou muito durante o tempo que passei por lá. Existem muitas consequências desastrosas de toda essa história de conflitos territoriais e do contato brusco com o homem branco.
Eu fiz alguns registros com imagens e vídeos das dificuldades que encontramos nas aldeias que tivemos a oportunidade de conhecer. Eu gostaria muito de compartilhar com vocês essas questões e quem se sentir tocado como eu, que possa ajudar de alguma maneira. Esses são pontos que quero aprofundar mais pra frente, com calma e de forma detalhada.
Eu contei um pouco da história do Acre, para compreendermos a importância que esse lugar tem na história do nosso país. Como seu território foi explorado e seu povo abandonado pelo governo. Os diversos conflitos que sucederam no Acre, foram incitados pela própria política econômica brasileira de extração da borracha e seu interesse em dizimar as comunidades indígenas.
Não tem problema fazer memes com o “menino do acre”, até porque ele pediu e com certeza agora esta morrendo de rir com a grana que ele ganhou nessa brincadeira, mas parem de ofender o povo acreano, que tem muito para nos ensinar e merece ser lembrado pelas suas raízes históricas, sua cultura e tradição.
Hoje faz duas semanas que criei este blog, e infelizmente não consegui alimentar ele como eu gostaria, desde que voltei para São Paulo ainda não consegui colocar minha vida em ordem, são tantas burocracias para serem resolvidas e o ritmo dessa cidade deixa a gente pirada.
Sinto que não estou me readaptando totalmente a essa volta.
O estilo de vida que a gente leva nessa cidade é insano. Tem hora que da vontade de sair correndo por aí, sem rumo, gritando loucamente. As vezes sou invadida por um sentimento de tristeza e desanimo, por não conseguir dar conta de tantas cobranças que esse ritmo de vida nos impõe.
Por isso tantas pessoas estão ficando doentes emocionalmente. Não é de se estranhar você encontrar com amigos que estejam vivendo a mesma situação. Estamos todos no mesmo barco desnorteado e sem direção, prestes a afundar. Pelo estilo de vida, pelas cobranças, pela situação política que se encontra o país e mais ainda pela falta de atitude nossa perante a tudo isso. Estamos inertes e não sabemos como sair disso.
Quero muito poder escrever e aprofundar sobre essa questão. A todxs as minhas amigas e amigos que estão passando por essa situação, como eu, receba um abraço caloroso de “tamo junto”. Quem quiser bater um papo mais profundo, pode me chamar no inbox. É noix.
Mas hoje eu gostaria de falar um pouco mais sobre outro assunto:
Sobre o estado do Acre. Nessa semana recebemos a notícia do reaparecimento do tão falado "menino do Acre", e com ela, como não poderia faltar nesse Brazilzão, os famosos memes.
Alguns desses memes estavam mesmo divertidíssimos (Eu amo a internet e a criatividade do brasileiro!), mas vi alguns que faziam referências negativas ao Acre, como um estado que não pertence a nada, no fim do mundo, fora do mapa, invisível.
Realmente eu entendo que não tivemos uma educação que tenha nos ensinado sobre a história e cultura de cada lugar desse extenso país, por isso alguns lugares possam parecer invisíveis aos nossos olhos, mas eles existem sim, e o Acre tem muito mais história e cultura do que a gente imagina.
Vou contar um pouquinho da história do estado pra vocês.
Durante a colonização, o atual estado do Acre passou a fazer parte da América espanhola, de acordo com os tratados entre espanhóis e portugueses. Após a independência das colônias espanholas, o Brasil reconheceu aquela área como boliviana através do tratado de Ayacucho (1867). Porém, não havia nenhuma ocupação do território por parte da Bolívia, em parte por ser uma região de difícil acesso por outro caminho que não a bacia do Rio Amazonas. Em virtude da abundancia da seringueira e do ciclo da borracha que estava se iniciando, colonos brasileiros e muitos nordestinos, fugindo da terrível seca que tomou conta do nordeste, tinham iniciado a ocupação do Acre em 1852, tendo essa imigração atingido proporções muito grandes a partir de 1877. O governo boliviano foi informado sobre essa ocupação de Puerto Alonso, que mais tarde foi nomeado para Porto Acre, e após algumas disputas territoriais conflituosas, o Brasil e a Bolívia começaram os tratados diplomáticos, iniciados e praticamente forçados pelo ministro do exterior, o Barão do Rio Branco.
Em 1903, os países assinam o tratado de Petrópolis, onde a Bolívia abriria mão de todo o Acre em troca de territórios brasileiros do Estado do Mato Grosso, mais o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas e a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, com o objetivo de permitir o escoamento da produção da borracha.
Logo após a anexação do Acre ao Brasil, os acreanos esperavam pela sua elevação a Estado o mais rápido possível, uma vez que nessa época (Auge do Ciclo da Borracha) o Acre representava 1/3 do PIB brasileiro. Porém após diversas tentativas e revoltas de movimentos autonomistas que foram sufocados pelo governo brasileiro, o Acre só foi elevado a condição de estado em 1962 durante a fase parlamentarista do presidente João Goulart.
Embora a região do Acre não estivesse sido ocupada por bolivianos naquela época, é importante mencionar que na segunda metade do século XIX, viviam cerca de 150 mil índios, distribuídos em 50 povos só no território acreano.
Em 1989, o numero de índios havia caído para de cerca de 5 mil. No ano de 2001, a FUNAI notificou a existência de 10.478 índios em todo estado do Acre, distribuídos em 12 povos. Esse pequeno aumento pode ser explicado pela atuação de organizações indigenistas.
As causas da diminuição demográfica indígena se dão pelos diversos conflitos e assassinatos cometidos pelos seringalistas brasileiros, pelos coletores de “drogas do sertão” (produtos típicos da região: cacau, castanha, ervas aromáticas e plantas medicinais), pelos caucheiros peruanos e soldados bolivianos. Além das doenças transmitidas pelo homem branco, em que o índio não tinha nenhuma resistência física para essas enfermidades, e assassinatos cometidos por capangas de fazendeiros a partir dos anos 70. Os caucheiros eram nômades, por isso se constituíram num dos principais inimigos dos indígenas, já que eram impelidos a desbravação contínua de novos territórios. As “correrias” eram organizadas por seringalistas que reuniam até 50 homens armados para atacarem as aldeias, matavam os líderes, escravizavam vários índios e cooptavam as índias para servirem de mulheres no seringal.
Entre os órgãos indigenistas mencionados, existe a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) que foi criada em 1967 e instalada no Acre em 1976, com o objetivo de prestar assistência as comunidades indígenas, vitimas das empresas agropecuárias. Durante muitos anos, a FUNAI limitou-se a delimitar terras indígenas, ao invés de demarca-las. Atualmente no Acre existem 17 terras indígenas esperando por demarcação. A assistência médica aos índios também ainda é muito precária. Atualmente a política da FUNAI é de que não sejam feitos contatos com os índios isolados, apenas os localizando e delimitando a área na qual vivem para impedir a entrada de brancos.
Outros órgãos foram criados para subsidiar a luta indígena como a Comissão Pró-índio (CPI/AC), Conselho de Missão entre Índios (COMIN), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a União das Nações Indígenas do Acre (UNI), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e em 2000 foi criada a Organização dos professores indígenas o Acre (OPIA) com o objetivo de promover a educação escolar indígena de forma diferenciada.
Existem outros movimentos e organizações indigenistas atualmente que você pode encontrar nesse link: pib.socioambiental.org
Embora existam esses movimentos e organizações de orientação e auxilio as questões indígenas, ainda é muito pouco comparado as ações que necessitam ser feitas nas aldeias e comunidades. E esse é um ponto que me tocou muito durante o tempo que passei por lá. Existem muitas consequências desastrosas de toda essa história de conflitos territoriais e do contato brusco com o homem branco.
Eu fiz alguns registros com imagens e vídeos das dificuldades que encontramos nas aldeias que tivemos a oportunidade de conhecer. Eu gostaria muito de compartilhar com vocês essas questões e quem se sentir tocado como eu, que possa ajudar de alguma maneira. Esses são pontos que quero aprofundar mais pra frente, com calma e de forma detalhada.
Eu contei um pouco da história do Acre, para compreendermos a importância que esse lugar tem na história do nosso país. Como seu território foi explorado e seu povo abandonado pelo governo. Os diversos conflitos que sucederam no Acre, foram incitados pela própria política econômica brasileira de extração da borracha e seu interesse em dizimar as comunidades indígenas.
Não tem problema fazer memes com o “menino do acre”, até porque ele pediu e com certeza agora esta morrendo de rir com a grana que ele ganhou nessa brincadeira, mas parem de ofender o povo acreano, que tem muito para nos ensinar e merece ser lembrado pelas suas raízes históricas, sua cultura e tradição.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
A escritora esta de volta!
Depois de dois meses viajando pelo Acre e pelo Peru por terra, estou de volta a São Paulo, a boa e velha cidade de concreto e pessoas atarefadas.
Hoje faz uma semana que voltei de viagem... cheguei na rodoviária da Barra Funda ainda desnorteda dos três dias direto de ônibus. Ao mesmo tempo que sentia uma enorme saudades da minha casa e uma leve euforia por estar de volta, começava a sentir uma nostalgia e muitas saudades de tudo que vivi nesse tempo.
Decidi escrever nesse blog... um velho sonho antigo e que um dia até foi colocado em prática... há alguns anos atras eu criei esse mesmo blog, mas usava uma assinatura com o codinome "Tati"... Na verdade eu sempre fui muita crítica comiga mesma, achava que não escrevia bem o bastante para que alguém se interessasse ou soubesse que eu escrevia.. Mas sempre senti necessidade de me expressar, de contar, nem que fosse pra mim mesma sobre mim... rs.
Hoje, meu projeto é um pouco mais ousado rs. Fiquei refletindo há uns dias atras sobre o quanto esse mundo da tecnologia tem contribuído para levar e trazer todo tipo de informação. Tem também o lado não muito legal disso tudo, mas pensando exclusivamente em como podemos compartilhar idéias, aprendizados e experiências da nossa vida, imagino que algumas informações possam ajudar outras pessoas... assim como também já me ajudou muito em vários momentos, nessa amarga vida solitária de São Paulo.
Nesses dois meses de viagem, passei por muitas experiências que gostaria de compartilhar. Uma delas - maravilhosa e muita intensa, foi a vivência de quinze dias na floresta, pelas aldeias do Acre, aprendendo um pouco da cultura dos indíos da etnia Huni Kuin.
Foram só quinze dias floresta adentro, mas que bastaram pra mudar toda uma vida de trinta anos e fazer grandes amigxs :)
Conheci algumas aldeias do rio Humaitá e pude registrar com a camera alguns momentos dessa vivência, momentos das cerimonias, de como eles se arrumam maravilhosamente com seus artesanatos, como são alegres e cantam encantando a todxs, como trabalham pesado todos os dias, como lutam para manter sua cultura e tradição vivas... Fui recebida com muito carinho, ainda que com um pouco de timidez no inicio - acho que um pouco dos dois lados rs... Mas sempre com muito carinho e atenção. Participei das cerimonias com Nixi pae (ayahuasca), e recebi trabalhos incriveis de cura com os pajes e outras medicinas. Tive a oportunidade de passar para eles um dia de oficina de introdução aos jogos do Teatro do Oprimidx, e a galera participou de coração aberto e muita disposição. Conheci muita gente bacana, fui bem acolhida, ouvi muitas histórias e tive grandes aprendizados.
Eu me sinto honrada de ter participado dessa vivência e sou muito grata ao Txai Tuim Nova Era, liderança da aldeia Boa Sorte e um guerreiro da luta de seu povo, que me fez esse convite e já é um querido que faz parte de toda essa transformação.
Durante essa estadia nas aldeias, pude perceber também que ainda faltam algumas coisas essenciais na estrutura da comunidade e que existem inumeras dificuldades, como por exemplo, para se locomover até a cidade, começando pela pequena quantidade de barcos disponiveis. Nós combinamos que através dos registros, buscaríamos parceria para contribuir nas melhorias da estrutura das aldeias da região, e na difusão da história de resistência e cultura tradicional do povo Huni Kuin.
Em breve divulgarei todxs os registros dessa experiência, informações dos projetos e aos poucos vou compartilhar os aprendizados e as histórias dessa viagem mucho loca ;)
Tem também os registros e histórias do Peru, de Machu Picchu e da cultura Inca, que fica pra segunda parte.
Como eu mencionei no início, eu sempre fui muito autocrítica comigo mesma, e como parte de toda essa transformação, eu resolvi escrever, e agora sou também artesã e fotografa, continuo sendo atriz/oficineira/produtora e eterna aprendiz do grupo de teatro que faço parte - Coletivo Garoa, estudante de vestibular nas horas vagas (eu sei gente, mas eu odeio estudar exatas, ta foda!), estudante da vida, da sociedade e dos cosmos (simm, sou de humanas!), porque eu decidi assim e assim que vai ser! ;P
Em Abril, no mês do meu aniversário de trinta anos, eu resolvi mudar radicalmente de vida e larguei meu trabalho quase estável para viver outras aventuras. Desde os meus 19 anos pago minhas contas com a profissão de Representante Comercial e aprendi a ganhar relativamente bem nessa area.
Mas como boa ariana que se preze, não via mais sentido em continuar minha vida trabalhando que nem louca só pra pagar contas... embora nesse mundão capitalista não tenha muito como fugir disso... mas eu ja estava descontente com essa vida, e uma ariana descontente é uma ariana morta rs.
Foi então que dei os primeiros passos e na verdade ainda estou engatinhando para descobrir outras formas de se viver a vida, de usar o nosso tempo sagrado com coisas que realmente façam algum sentido.
E é essa caminhada que pretendo seguir daqui pra frente, compartilhando e trocando informações com vocês!
Essa semana terão mais novidades sobre a viagem e toda essa loucura boa, aguardem!
Obrigada pra quem leu até aqui! É nois ;)
Beijos e até breve!
Trabalho de cura com os pajes e as medicinas da floresta
Hoje faz uma semana que voltei de viagem... cheguei na rodoviária da Barra Funda ainda desnorteda dos três dias direto de ônibus. Ao mesmo tempo que sentia uma enorme saudades da minha casa e uma leve euforia por estar de volta, começava a sentir uma nostalgia e muitas saudades de tudo que vivi nesse tempo.
Decidi escrever nesse blog... um velho sonho antigo e que um dia até foi colocado em prática... há alguns anos atras eu criei esse mesmo blog, mas usava uma assinatura com o codinome "Tati"... Na verdade eu sempre fui muita crítica comiga mesma, achava que não escrevia bem o bastante para que alguém se interessasse ou soubesse que eu escrevia.. Mas sempre senti necessidade de me expressar, de contar, nem que fosse pra mim mesma sobre mim... rs.
Hoje, meu projeto é um pouco mais ousado rs. Fiquei refletindo há uns dias atras sobre o quanto esse mundo da tecnologia tem contribuído para levar e trazer todo tipo de informação. Tem também o lado não muito legal disso tudo, mas pensando exclusivamente em como podemos compartilhar idéias, aprendizados e experiências da nossa vida, imagino que algumas informações possam ajudar outras pessoas... assim como também já me ajudou muito em vários momentos, nessa amarga vida solitária de São Paulo.
Nesses dois meses de viagem, passei por muitas experiências que gostaria de compartilhar. Uma delas - maravilhosa e muita intensa, foi a vivência de quinze dias na floresta, pelas aldeias do Acre, aprendendo um pouco da cultura dos indíos da etnia Huni Kuin.
Foram só quinze dias floresta adentro, mas que bastaram pra mudar toda uma vida de trinta anos e fazer grandes amigxs :)
Conheci algumas aldeias do rio Humaitá e pude registrar com a camera alguns momentos dessa vivência, momentos das cerimonias, de como eles se arrumam maravilhosamente com seus artesanatos, como são alegres e cantam encantando a todxs, como trabalham pesado todos os dias, como lutam para manter sua cultura e tradição vivas... Fui recebida com muito carinho, ainda que com um pouco de timidez no inicio - acho que um pouco dos dois lados rs... Mas sempre com muito carinho e atenção. Participei das cerimonias com Nixi pae (ayahuasca), e recebi trabalhos incriveis de cura com os pajes e outras medicinas. Tive a oportunidade de passar para eles um dia de oficina de introdução aos jogos do Teatro do Oprimidx, e a galera participou de coração aberto e muita disposição. Conheci muita gente bacana, fui bem acolhida, ouvi muitas histórias e tive grandes aprendizados.
Eu me sinto honrada de ter participado dessa vivência e sou muito grata ao Txai Tuim Nova Era, liderança da aldeia Boa Sorte e um guerreiro da luta de seu povo, que me fez esse convite e já é um querido que faz parte de toda essa transformação.
Durante essa estadia nas aldeias, pude perceber também que ainda faltam algumas coisas essenciais na estrutura da comunidade e que existem inumeras dificuldades, como por exemplo, para se locomover até a cidade, começando pela pequena quantidade de barcos disponiveis. Nós combinamos que através dos registros, buscaríamos parceria para contribuir nas melhorias da estrutura das aldeias da região, e na difusão da história de resistência e cultura tradicional do povo Huni Kuin.
Em breve divulgarei todxs os registros dessa experiência, informações dos projetos e aos poucos vou compartilhar os aprendizados e as histórias dessa viagem mucho loca ;)
Tem também os registros e histórias do Peru, de Machu Picchu e da cultura Inca, que fica pra segunda parte.
Como eu mencionei no início, eu sempre fui muito autocrítica comigo mesma, e como parte de toda essa transformação, eu resolvi escrever, e agora sou também artesã e fotografa, continuo sendo atriz/oficineira/produtora e eterna aprendiz do grupo de teatro que faço parte - Coletivo Garoa, estudante de vestibular nas horas vagas (eu sei gente, mas eu odeio estudar exatas, ta foda!), estudante da vida, da sociedade e dos cosmos (simm, sou de humanas!), porque eu decidi assim e assim que vai ser! ;P
Em Abril, no mês do meu aniversário de trinta anos, eu resolvi mudar radicalmente de vida e larguei meu trabalho quase estável para viver outras aventuras. Desde os meus 19 anos pago minhas contas com a profissão de Representante Comercial e aprendi a ganhar relativamente bem nessa area.
Mas como boa ariana que se preze, não via mais sentido em continuar minha vida trabalhando que nem louca só pra pagar contas... embora nesse mundão capitalista não tenha muito como fugir disso... mas eu ja estava descontente com essa vida, e uma ariana descontente é uma ariana morta rs.
Foi então que dei os primeiros passos e na verdade ainda estou engatinhando para descobrir outras formas de se viver a vida, de usar o nosso tempo sagrado com coisas que realmente façam algum sentido.
E é essa caminhada que pretendo seguir daqui pra frente, compartilhando e trocando informações com vocês!
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História de resistência do povo Guarani Mbya
Ola pessoas! Como vão vocês? Primeiramente um #foratemer pra não esquecermos que temos um presidente que não foi escolhido pelo povo, toma...
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