sexta-feira, 1 de setembro de 2017

História de resistência do povo Guarani Mbya

Ola pessoas!
Como vão vocês?
Primeiramente um #foratemer pra não esquecermos que temos um presidente que não foi escolhido pelo povo, tomando decisões importantes que implicam diretamente nas nossas vidas!
Hoje gostaria de falar um pouco sobre o povo Guarani Mbya e a luta que estão enfrentando atualmente com a defesa da demarcação da terra Jaraguá e contra o Marco temporal. Pra começar, fiz uns estudos sobre o tema e vamos dar uma contextualizada na história desse povo para entender melhor suas reivindicações.


História do povo Guarani
O povo indígena Guarani está localizado em cinco países sul-americanos: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Em nosso país, essa população de 67.523 índios (IBGE, 2010) está distribuída principalmente nas regiões Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná), Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo) e Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul). Trata-se de uma das maiores populações indígenas do país, representando mais de 7% dos 896.917 existentes em território nacional (IBGE, 2010).
Os Guarani que vivem no Brasil se dividem em três subgrupos: Ñandeva, Kaiowá e Mbya. Tal classificação foi adotada nos anos 1950 pelo antropólogo Egon Schaden e está pautada, sobretudo, em suas observações sobre as diferenças no dialeto, nos costumes e nas práticas rituais entre este povo. Tal classificação é, atualmente, a mais adotada, embora em muitos casos não corresponda aos etnônimos utilizados pelos próprios Guarani para se autodefinirem.
Os Ñandeva vivem no Mato Grosso do Sul e também no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e em São Paulo. Já os Kaiowá estão concentrados principalmente no estado de Mato Grosso do Sul, embora sua presença também possa ser encontrada no Paraná. Por sua vez, os Mbya habitam as regiões Sul e Sudeste, principalmente São Paulo e Santa Catarina. Nestas regiões, eles também dividem terras indígenas com outros povos, sobretudo os Kaingang. Além disso, na Terra Indígena Xamboiá, no Tocantins, coabitam índios Guarani Mbya e Karajá; e na Reserva Indígena Nova Jacundá, localizada no Pará, vivem os Guarani Mbya. 

Com a chegada dos exploradores, o território ocupado pelos Guarani torna-se palco de disputas entre portugueses e espanhóis. Com o intuito de ampliar seu próprio domínio, aos espanhóis interessava “ampliar” o território de seus aliados “guarani”, sucedendo o mesmo com os portugueses e seus aliados “carijó”, sobrepondo classificações e divisões tribais segundo seus próprios interesses. Na denominação dos povos que em ampla extensão de terra falavam a mesma língua, alguns foram caracterizados como de índios rebeldes e guerreiros, e outros como pacíficos e submissos, os termos “guarani” e “carijó” (ou “cario”) foram empregados pelos cronistas e historiadores sem detalhar diferenças dialetais ou culturais.
Nos séculos XVIII e XIX, os grupos Guarani que não se submeteram aos encomenderos espanhóis nem às missões jesuíticas, refugiando-se nos montes e nas matas subtropicais da região do Guaíra paraguaio e dos Sete Povos, aparecem na literatura com o nome genérico de Cainguá, Caaiguá, Ka’ayguá ou Kaiguá. Kaygua provém de ka’aguygua, que significa “habitantes das matas”.
A partir de meados do século XX, os estudos etnográficos (Nimuendaju, Cadogan, Schaden) permitiram maior conhecimento sobre as especificidades lingüísticas, religiosas, políticas e sobre a cultura material guarani, definindo as bases para a classificação ainda vigente dos subgrupos.

Território e regularização das terras indígenas

O território atualmente ocupado pelos Mbya, Ñandeva e Kaiowa, grupos Guarani que se encontram hoje no Brasil, compreende partes do Brasil, do Paraguai, da Argentina e do Uruguai.
A regularização das áreas ocupadas pelos Guarani Mbya no litoral teve sua origem através de iniciativas e projetos do CTI (Centro de Trabalho Indigenista), a partir de 1979 nas aldeias da capital de SP e litoral de SP e RJ e de ações do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), nas aldeias do litoral sul de SP. Até meados da década de 1980 em toda a faixa do litoral eram reconhecidas oficialmente, por decretos estaduais a aldeia do Bananal (Posto Indígena de Peruíbe – SP) em 1927, e a aldeia de Itariri – SP, em 1962. A aldeia de Parati Mirim também teria sido reconhecida, em 1960, por ato informal do governo do Rio de Janeiro. Em 1983, o CTI encaminha ao Governo de SP (Franco Montoro/PMDB), um dossiê sobre as aldeias Guarani do estado de São Paulo e um projeto para sua regularização fundiária. Diante do interesse do governo estadual em regularizar as áreas ocupadas pelos Guarani de SP, a FUNAI assina convênio com o governo de São Paulo, em 20/12/84, para demarcação das áreas indígenas, homologadas em 1987.
A partir do início dos anos 1980, o reconhecimento oficial e a demarcação das aldeias Guarani tornou-se urgente devido ao crescimento de projetos imobiliários e turísticos decorrente da construção da rodovia Rio-Santos e de estradas adjacentes. Posteriormente, pressões ambientais e ocupações desordenadas decorrentes de projetos de desenvolvimento (saneamento, abastecimento, estradas e rodovias como a duplicação da rodovia BR 101, no sul) exigiram maiores articulações dos Guarani e seus aliados, em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Após a Constituição Federal de 1988, conquistas foram obtidas com o reconhecimento de algumas áreas no litoral. Entretanto, por constituírem uma população diferenciada etnicamente e minoritária nos diversos contextos regionais, as pressões e as tentativas de controle de suas dinâmicas sociais e territoriais são constantes.

Demarcação da Terra Indígena Jaraguá

A Funai lembra que a reivindicação pelo reestudo dos limites territoriais da terra índigena Jaraguá é antiga e em junho de 2015 a Portaria Declaratória nº 581 do Ministério da Justiça reconheceu os 532 hectares que configuram a Terra Indígena Jaraguá como de ocupação tradicional dos guarani.
“Embora tenha sido uma importante conquista do povo guarani mbya de São Paulo, hoje a eficácia da Portaria nº 581 está suspensa, de modo que a tramitação pela regularização do território indígena restou paralisada aguardando apreciação do mérito da ação pelo Supremo Tribunal Federal”, lembra o órgão de proteção ao índio por meio de sua assessoria.
Além da paralisação da portaria, os índios do Jaraguá convivem com o fantasma de um retrocesso ainda maior com a possibilidade de esmagamento imposta pela lei de concessão dos parques estaduais.
A diminuição forçaria os índios a delimitarem não apenas o seu território, mas práticas da cultura Guarani como a agricultura para o autossustento, o manejo de nascentes e a extração de plantas medicinais. Tal “confinamento territorial”, observa a Funai, não condiz com o padrão de ocupação territorial guarani.
“Esse é o maior desafio da comunidade hoje e a causa de muitos outros problemas. Com essa área, não é possível levar adiante um programa habitacional por falta de espaço para as casas. O crescimento da metrópole de São Paulo asfixia a aldeia, que persiste em manter vivos o idioma e a religiosidade, além de buscar recriar pequenos nichos de cultivos tradicionais”, observa a Funai, ao culpar a restrição de espaço físico e a aproximação da cidade a cada dia por situações de vulnerabilidade das famílias locais.
Pressionados por uma morosidade do governo em reconhecer de fato os 532 hectares reivindicados e por uma especulação imobiliária que acompanha a expansão da cidade para a periferia (estima-se que a região do Pico do Jaraguá terá um crescimento demográfico de mais de 50% nos próximos 25 anos, passando dos atuais 208.054 para 317.439 habitantes), os Guarani no Jaraguá lutam para manter seu modo de vida tradicional, mas enfrentam um obstáculo de proporções épicas: no estado mais rico da federação, uma lei entrega às mãos da iniciativa privada a gestão de parques estaduais como a reserva do Pico do Jaraguá, que se sobrepõe à área reclamada.
No fim de junho, o governador Geraldo Alckmin sancionou o projeto que autoriza o governo estadual conceder à iniciativa privada 25 parques estaduais, como o do Jaraguá (488,84 hectares) e o da Cantareira (7.900 hectares) na capital e o de Campos do Jordão (8.341 hectares) na região do Vale do Paraíba, assim como áreas de manejo florestal no estado. 
 O texto prevê concessão por 30 anos para “a exploração dos serviços ou o uso de áreas inerentes ao ecoturismo e à exploração comercial madeireira ou de subprodutos florestais”, o que é justificado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente pelo interesse público para que o governo obtenha recursos para a recuperação da natureza.
A Terra Indígena Jaraguá é composta por quatro aldeias: Pyau, Itakupé, Itawerá e Ytu. Destas, três são reconhecidas pela Funai, mas apenas a Ytu tem 1,7 hectare demarcado, além de uma Unidade Básica de Saúde precária (onde um pediatra e uma ginecologista atendem semanalmente sem uma sala reservada) e duas escolas. 
Delimitada em 1987, a aldeia Tekoa Ytu, conhecida como “Aldeia de Baixo”, é a menor terra indígena do país e é cortada pela Estrada Turística do Jaraguá antes de fazer fronteira com a Tekoa Pyau, também chamada de “Aldeia de Cima”. Nela, reclamam, vizinhos deixam gados e outros animais soltos avançarem em hortas tímidas como as de milho.
Uma plantação de eucalipto próximo dali contribuiria para a seca das nascentes do Rio Ribeirão das Lavras.
“Eles convivem com escassez de alimentos, más condições de habitação e de saneamento, além da entrada do alcoolismo. A suspensão da Portaria Declaratória do Ministério da Justiça aumenta a insegurança delas”, afirma a Funai, ao alertar que sua Coordenação Regional Litoral Sudeste identifica cerca de 30 aldeias sobrepostas a Unidades de Conservação e vem trabalhando em Planos de Gestão Territorial e Ambiental como meio de uma gestão compartilhada juntamente com os parques.
Membro da Comissão Guarani, Sonia Barbosa, de 42 anos, explica que a perda de espaço implica perda de referência para os guarani. “Sem a terra não há lugar para o cultivo, para brincadeiras tradicionais, para a vivência dos mais velhos”, afirma. “O governo do estado toma toda a área de preservação como se fosse dele e esquece que aqui há pessoas, nascentes, animais silvestres, árvores frutíferas. Olham a mata apenas com o propósito financeiro.”
Foram os elementos dessa mata que propiciaram aos guarani se estabelecerem ali desde o século XVI. “Antes a gente tomava banho no rio, minha avó cozinhava com a água dele. Mas agora tomamos água da Sabesp, e as crianças que entram no rio saem cheias de doenças”, lamenta Jurandir Augusto Martim, de 40 anos, enquanto mostra orgulhoso a horta de manga, milho, abóbora e mexerica, vizinha do apiário de abelhas uruçu e mandaçaia na Aldeia de Baixo.
Thiago Henrique Karai Djekupe, de 22 anos, explica que a noção de pertencimento sobre parte do Parque Estadual do Jaraguá vem de décadas. Quando criança, seu pai o levava desbravar o local em busca de “remédios” da natureza para a fabricação de garrafadas (infusões de álcool com plantas medicinais). “Minha avó sempre lutou muito pela demarcação da nossa terra e em 1987 conquistamos o 1,7 hectare. Continuamos batalhando, mas desde que a nossa luta ganhou força vimos retrocesso atrás de retrocesso.”
Por ser signatário da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, ele lembra, o Estado brasileiro não tem direito de negar a identidade de um povo indígena e deve consultar povos originários sobre qualquer medida que possa afetá-los. “Mas hoje, além de não respeitarem a convenção, aplicam mais leis que ferem a Constituição e nós”, diz, referindo-se aos artigos 231 e 232 da Carta sobre a garantia dos direitos indígenas.
Além da suspensão da Portaria Declaratória nº 581, do Ministério da Justiça, da lei estadual sobre concessão dos parques estaduais, os guarani temem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, que transfere do Executivo para o Legislativo a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas. Ao transferir o poder de demarcação de terras indígenas, coloca-se tal responsabilidade nas mãos dos parlamentares, cada vez mais representados por bancadas ruralistas.
Para a Funai, a PEC 215 é inconstitucional, já que a definição sobre terras indígenas fica sujeita às “maiorias políticas de ocasião”. “Sabemos que hoje essa maioria representa interesses pessoais e financeiros e atua para que não seja demarcada nenhuma terra indígena”, observou a entidade em comunicado.
A TI Jaraguá é povoada por 200 casas simples de pau a pique ou cimento, ruelas de barro, cachorros diariamente abandonados ali, galinhas e crianças que brincam do lado de fora das casas, em uma vivência em comunidade impensável para os centros urbanos de hoje. O território indígena carece de saneamento básico e infraestrutura, mas é cercado por casarões e vizinhos que também buscam viver em comunhão com a natureza.
Andando por ali, o jovem guarani Herbert Martins, de 20 anos, aponta para a mansão vizinha e lembra que na piscina que ostentam há festas com frequência. Orgulhoso, ele conta fazer parte de um grupo de rap batizado de Xondaro MC’s (Guerreiros MC’s em guarani). “A gente faz letras sobre como o Brasil era habitado e passou a ser invadido”, explica, sobre a opressão vivida por seu povo na pele.
No Centro de Educação e Cultura Indígena (Ceci) municipal estudam 170 crianças de zero a 6 anos de idade. Já a estadual Escola Djekupe Amba Arandy, que tem ensino fundamental, médio e educação de jovens e adultos, recebe 250 crianças e jovens.
Pedro Karai Yrapuá, de 51 anos, auxiliar de coordenação de cultura na aldeia, explica que na Ceci são ensinados elementos da cultura indígena, mas a escola não é a base da educação guarani. “Ser guarani é ter um modo de vida em torno do observar e aprender com o universo. Enquanto o jurua (homem branco) só olha o mundo como um objeto de valor em termos de riqueza e sabedoria desde que traga algo para ele, para o guarani o valor está em aprender com a natureza”, explica. “Não existe a preocupação em se beneficiar e ganhar com o território. É mais sobre o que a terra ensina, a importância de apreender e conservá-la.”
Além da pressão no âmbito federal com a PEC 215, o imbróglio na esfera estadual foi marcado por uma denúncia do Ministério Público Federal de São Paulo que fala em uso de drogas e abuso sexual de crianças na aldeia. A denúncia golpeou a luta guarani pela ampliação e reconhecimento de seu território, antes de ela sofrer novo revés com a lei de concessão dos parques estaduais.
Os guarani do Jaraguá reclamam que em nenhum momento foram ouvidos para a formulação da denúncia e que só foram chamados para depor como se fossem criminosos. Por tratar-se  de uma minoria, os indígenas estão sujeitos a um fenômeno que não ocorre na sociedade branca ocidental: quando um membro da comunidade comete alguma irregularidade, a mancha se alastra por toda a aldeia, estigmatizando-a ainda mais.
No dia a dia, a denúncia só criou mais obstáculos para os guarani do Jaraguá. “Passamos a ser alvo de racismo e discriminação. Os ônibus deixavam de parar quando dávamos sinal, perguntavam às mulheres se elas faziam programas e mostravam partes íntimas para nossas crianças”, conta Thiago Djekupe. “A denúncia generalizou problemas pontuais que existem aqui e em qualquer comunidade.”
A Funai, por sua vez, garante que sua coordenação técnica auxilia a comunidade da TI Jaraguá desde 2013, promovendo diálogos sobre o enfrentamento à violência e a promoção de saúde, com foco em saúde mental e combate ao uso abusivo de álcool e outras drogas.
Para David Guarani Karai Popygua, uma das lideranças, de 28 anos, a denúncia se coloca como uma tentativa de criminalizar a comunidade indígena, descartando os percalços que os guarani do Jaraguá enfrentam para ter acesso a saúde, educação e alimentação e a batalha centenária por terra.
“Parece que o MPF e o governo do estado se articulam para dificultar nossa luta pela demarcação. Se tirarem nossa terra, como sobreviveremos?”, questiona, entristecido. “As pessoas nos criticam por reivindicarmos uma área dentro da metrópole, mas não conseguem refletir de forma crítica e enxergar: quem invadiu a nossa terra foi a cidade.”

Mobilização e Resistência

Depois de acamparem em frente ao Ministério da Justiça, em Brasília, e ocuparem o escritório da Presidência da República, em São Paulo, onde um grande ato reuniu milhares de pessoas, os Guarani finalmente obtiveram uma agenda com o ministro da Justiça, Torquato Jardim, no final da tarde de ontem (30), na capital federal.
Os indígenas exigiram do ministro a revogação da Portaria 683/2017, publicada há dez dias, na qual o ministro anula a Portaria Declaratória da Terra Indígena Jaraguá, condenando os Guarani ao confinamento em uma área de apenas 1,7 hectares.
Intransigente e sem dar espaço a questionamentos, Jardim respondeu aos Guarani que "com prédio público ocupado, eu não recuo, não revejo a matéria". O ministro defendeu a anulação da demarcação do Jaraguá, usando o argumento - inconstitucional - de que a terra "juridicamente" pertence ao estado de São Paulo, em função da existência de um parque sobreposto aos 532 hectares reconhecidos como de ocupação tradicional Guarani. A Constituição estabelece que todos os títulos incidentes sobre terras indígenas são nulos.
"Nós vamos lutar com a nossa vida, ministro. Ao invés de anular a portaria, manda um trator lá, abre um buraco e enterra a gente, mas a gente não vai sair da terra", afirmou Karai Popyguá, liderança Guarani que participou da reunião com Torquato Jardim. "Essa medida é genocida, assassina, ela gera sangue, ela gera morte", prosseguiu.
Após a reunião, os indígenas ainda passaram a noite na ocupação em São Paulo e no acampamento em Brasília e afirmam que as mobilizações seguem até que a Portaria 683/17 seja revogada e a demarcação da Terra Indígena Jaraguá, retomada.

Na quarta-feira dia 30/08, os Guaranis organizaram uma manifestação no Masp em São Paulo.
Tive a oportunidade de acompanha-los nessa trajetória e foi muito emocionante presenciar a Avenida Paulista tomada por indígenas e outras pessoas que estavam lá apoiando a luta. 
Achei importante escrever sobre esse tema, pois estamos vivendo um momento muito dificil no nosso país, com o Temer negociando descaradamente com a bancada ruralista nossos recursos naturais em troca de apoio para o seu desgoverno.
Nossa reserva Amazônica também se encontra ameaçada pela política de Temer de negociar os nossos recursos para exploração de mineradoras, sem antes consultar a população e especialistas sobre o assunto.
Estamos presenciando um retrocesso de mais de 500 anos de luta. A pauta indígena pela demarcação das terras é um tema urgente e que precisamos refletir, pois essa terra que vivemos hoje, foi roubada, explorada e saqueada pelos colonizadores e assim seguiu até os dias de hoje. A população indígena foi dizimada nesse processo e os povos só sobreviveram porque resistiram profundamente a esse massacre. 
Se hoje temos acesso a essa cutura, é por conta dessa resistência. Se temos ainda nossas florestas e reservas naturais conservadas, é pelo cuidado que os indígenas tem com a natureza e a terra. Se queremos que ela sobreviva, precisamos apoiar essa causa. O futuro do nosso país e a história que vamos contar para as próximas gerações dependem dessa luta!

#foratemerurgente
#jaraguaeguarani
#todospelaamazonia

Fonte:
Wikipedia
pib.socioambiental.org
Livro - Povos Indígenas no Brasil
Conselho Indigenista Missionário - CIMI
Comissão Guarani Yvyrupa - CGY
*Reportagem publicada originalmente na edição 916 de CartaCapital, com o título "Acossados por todos os lados".




 







 

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Sobre os relatos do #meuartistasecreto

Olá pessoas! Como estão vocês?
Essa semana queria comentar sobre a repurcussão que teve os relatos da hashtag #meuartistasecreto. Seguindo a linha da hashtag #meuamigosecreto que rolou no ano passado, mulheres de todo o país começaram a relatar casos de abuso específicos de companheiros do meio artístico. Quem deu ínicio a esse movimento foi a ex-companheira de um musico da banda Apanhador Só de Porto Alegre, que por conta da repercussão, acabou cancelando seus próximos shows que já estavam com data marcada.
Os relatos acabaram tendo repercusões positivas e negativas. Muitas pessoas comentaram que não havia necessidade de expor as intimidades da relação e que essa exposição estaria incentivando uma onda de escrachos na pagina dos musicos. Sem contar os inumeros comentários culpando a vítima de querer aparecer em cima da banda, ou como se ela fosse uma ressentida amargurada infeliz pelo esplendido sucesso do seu ex-companheiro. Mas não é de hoje que nossos discursos são deslegitimados por acusações como essas.
Bom, em primeiro lugar, como mencionei acima, a mulher foi VÍTIMA de uma relação abusiva por cinco anos, e por mais que ela descreva que tenha cometido alguns "erros" nessa relação, sabemos muito bem que na sociedade patriarcal que vivemos desde sempre, as relações tendem a ser desiguais na própria estrutura, começando pelos privilégios que os homens desfrutam desde o ínicio de suas vidas nas relações familiares até as suas futuras relações afetivas. Nessa estrutura patriarcal, culturalmente enraizada na sociedade, nós mulheres, temos dificuldade de encontrar nosso verdadeiro espaço e assumir posturas dentro de uma relação e em todos os âmbitos da nossa vida. Não é dificil imaginar, que realmente estamos enlouquecendo com tantas dificuldades que encontramos em apenas - ser mulher.
Por mais desconstruído que esse homem possa ser, essa estrutura continuará presente na sociedade, enquanto ainda temos pouca, ou quase nenhuma representatividade nos espaços de poder pelas mulheres.
Todas as manas que conheço alegam já ter passado por uma relação abusiva em algum momento da sua vida. Eu mesma confesso que passei em quase todas as minhas relações com homens, por diversos tipos de abuso, físico, psicológico e emocional. Atualmente me identifico e estudo sobre o movimento feminista, ao mesmo tempo que tento evitar e lutar contra essas opressões todos os dias, mas nem por isso estou isenta de passar por uma situação de abuso novamente. A partir do momento que somos mulheres, estamos sujeitas a todo momento a sermos colocadas nesse lugar secundário, submisso e termos nossa voz silenciada. E isso precisa ser combatido a todo instante.
Por que é importante expormos casos de abuso como esses?
Não queremos escrachar os machos, acabar com as suas vidas e excluí-los da sociedade (As vezes da vontade sim rs). Mas sério, falando por mim e creio que algumas manas vão concordar, só queremos que minimamente se reconheça os abusos que cometem, os privilégios que possuem e desconstruam de verdade essas atitudes. Não cometam os mesmos erros com nenhuma mina novamente. E que chamem a atenção dos parça para essas questões. Não adianta ficar pagando de feministo e desconstruidão, cantando canções de como é linda a liberdade da mulher e agir como um escroto na sua relação, continuar dando risada e defendendo as atitudes dos amigo abusadores.
Não tem graça nenhuma para uma mulher que sofreu na mão de um cara, ver seu abusador cantando alegremente sobre questões do movimento feminista, pagando de desconstruído e sendo o ídolo de outras mulheres (que não tem idéia de como esse cara age no dia-a-dia), e nem sequer um pedido de desculpas, em todo esse tempo, o cara foi capaz de fazer.
Outro relato que me deixou chateada, porém não surpresa, foi da ex-companheira do rezador e condutor de trabalhos com ayahuasca, Ale de Maria, muito conhecido por suas canções de rezo com letras de espiritualidade e até do sagrado feminino. Esse é outro ponto que eu queria chegar. Estamos falando de abuso no meio artístico, mas gostaria de falar também sobre os bizarros casos de abuso no meio de cerimônias que trabalham a espiritualidade, principalmente com medicinas como a Ayahuasca.
Quando você decide ir a um lugar como esse, muito provavelmente você está buscando um espaço para trabalhar sua espiritualidade, pode estar buscando um auxílio, uma orientação, por vezes pode se encontrar numa situação um pouco mais delicada e a própria medicina te deixa mais sensível e conectada com as suas emoções. Esse espaço que deveria ser de extremo respeito por trabalhar com emoções tão profundas, muitas vezes é utilizado pelos caras para se auto promoverem e abusarem de minas que estão em situação de vulnerabilidade. Não estou dizendo que todos os lugares conduzidos por homens são adeptos dessa prática, alguns realmente trabalham com seriedade, mas dentre tantos que existem por aí, são poucos que realmente refletem sobre essa questão.
Passei por uma situação assim há um tempo atrás, estava vivendo um momento delicado, e durante um ritual de ayahuasca, um rapaz se sentou do meu lado, ficou me secando por um bom tempo e num momento de muita fragilidade, aproveitou para colocar a mão na minha coxa. Eu estava muito envolvida nos efeitos da medicina e a única coisa que consegui fazer naquele momento foi me afastar. Fiquei muito mal até o final do trabalho, quando decidi conversar com os guardiões sobre o que tinha ocorrido.
Não expus ele naquele dia, porque o próprio ambiente causa um certo "tabu" de falar sobre esses assuntos "polêmicos", e pela dificuldade que temos em lidar com essas situações. Mas fiquei refletindo sobre isso por um bom tempo, e a conclusão que chego é que provavelmente esse rapaz continue agindo assim com outras mulheres, em outros espaços e nenhuma atitude é tomada.
Ah, mas vai expor o cara desse jeito, vai acabar com a vida dele.... Pois é né, tadinho dele.... mas a mana que foi abusada fica como? Porque ela também foi exposta a uma situação constrangedora.
Não sou de apoiar nenhum tipo de escracho, mas se os caras nao conseguem reconhecer como agiram e continuam tomando atitudes escrotas, não merecem admiração e nem o nosso aplauso.
Existe uma pagina que agrupou todos os relatos, e em alguns casos os caras tiveram um posicionamento bacana e houve até reconciliação. Para algumas pessoas a pagina é controversa, mas achei interessante por levantar um debate que precisa ser feito e amparar as minas que realmente precisam de apoio.
A página também dá um feedbeck de como os caras estão se posicionando:
https://medium.com/@apoieacena/bandas-brasileiras-que-voc%C3%AA-deveria-evitar-394d5f3725d8
Ofereço meu total apoio a todas as mulheres que são e foram abusadas por seus companheiros para que tenham voz e muita força para sair dessa situação.
Falar sobre as nossas dores pode ser uma maneira de cura-las. E que nossos relatos possam evitar que outras mulheres sejam abusadas.



































quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Acre existe sim! E tem mais história e cultura do que você imagina.

Olá pessoal, quanto tempo!
Hoje faz duas semanas que criei este blog, e infelizmente não consegui alimentar ele como eu gostaria, desde que voltei para São Paulo ainda não consegui colocar minha vida em ordem, são tantas burocracias para serem resolvidas e o ritmo dessa cidade deixa a gente pirada.
Sinto que não estou me readaptando totalmente a essa volta.
O estilo de vida que a gente leva nessa cidade é insano. Tem hora que da vontade de sair correndo por aí, sem rumo, gritando loucamente. As vezes sou invadida por um sentimento de tristeza e desanimo, por não conseguir dar conta de tantas cobranças que esse ritmo de vida nos impõe.
Por isso tantas pessoas estão ficando doentes emocionalmente. Não é de se estranhar você encontrar com amigos que estejam vivendo a mesma situação. Estamos todos no mesmo barco desnorteado e sem direção, prestes a afundar. Pelo estilo de vida, pelas cobranças, pela situação política que se encontra o país e mais ainda pela falta de atitude nossa perante a tudo isso. Estamos inertes e não sabemos como sair disso.
Quero muito poder escrever e aprofundar sobre essa questão. A todxs as minhas amigas e amigos que estão passando por essa situação, como eu, receba um abraço caloroso de “tamo junto”. Quem quiser bater um papo mais profundo, pode me chamar no inbox. É noix.
Mas hoje eu gostaria de falar um pouco mais sobre outro assunto:
Sobre o estado do Acre. Nessa semana recebemos a notícia do reaparecimento do tão falado "menino do Acre", e com ela, como não poderia faltar nesse Brazilzão, os famosos memes.
Alguns desses memes estavam mesmo divertidíssimos (Eu amo a internet e a criatividade do brasileiro!), mas vi alguns que faziam referências negativas ao Acre, como um estado que não pertence a nada, no fim do mundo, fora do mapa, invisível.
Realmente eu entendo que não tivemos uma educação que tenha nos ensinado sobre a história e cultura de cada lugar desse extenso país, por isso alguns lugares possam parecer invisíveis aos nossos olhos, mas eles existem sim, e o Acre tem muito mais história e cultura do que a gente imagina.
Vou contar um pouquinho da história do estado pra vocês.
Durante a colonização, o atual estado do Acre passou a fazer parte da América espanhola, de acordo com os tratados entre espanhóis e portugueses. Após a independência das colônias espanholas, o Brasil reconheceu aquela área como boliviana através do tratado de Ayacucho (1867). Porém, não havia nenhuma ocupação do território por parte da Bolívia, em parte por ser uma região de difícil acesso por outro caminho que não a bacia do Rio Amazonas. Em virtude da abundancia da seringueira e do ciclo da borracha que estava se iniciando, colonos brasileiros e muitos nordestinos, fugindo da terrível seca que tomou conta do nordeste, tinham iniciado a ocupação do Acre em 1852, tendo essa imigração atingido proporções muito grandes a partir de 1877. O governo boliviano foi informado sobre essa ocupação de Puerto Alonso, que mais tarde foi nomeado para Porto Acre, e após algumas disputas territoriais conflituosas, o Brasil e a Bolívia começaram os tratados diplomáticos, iniciados e praticamente forçados pelo ministro do exterior, o Barão do Rio Branco.
Em 1903, os países assinam o tratado de Petrópolis, onde a Bolívia abriria mão de todo o Acre em troca de territórios brasileiros do Estado do Mato Grosso, mais o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas e a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, com o objetivo de permitir o escoamento da produção da borracha.
Logo após a anexação do Acre ao Brasil, os acreanos esperavam pela sua elevação a Estado o mais rápido possível, uma vez que nessa época (Auge do Ciclo da Borracha) o Acre representava 1/3 do PIB brasileiro. Porém após diversas tentativas e revoltas de movimentos autonomistas que foram sufocados pelo governo brasileiro, o Acre só foi elevado a condição de estado em 1962 durante a fase parlamentarista do presidente João Goulart.
Embora a região do Acre não estivesse sido ocupada por bolivianos naquela época, é importante mencionar que na segunda metade do século XIX, viviam cerca de 150 mil índios, distribuídos em 50 povos só no território acreano.
Em 1989, o numero de índios havia caído para de cerca de 5 mil. No ano de 2001, a FUNAI notificou a existência de 10.478 índios em todo estado do Acre, distribuídos em 12 povos. Esse pequeno aumento pode ser explicado pela atuação de organizações indigenistas.
As causas da diminuição demográfica indígena se dão pelos diversos conflitos e assassinatos cometidos pelos seringalistas brasileiros, pelos coletores de “drogas do sertão” (produtos típicos da região: cacau, castanha, ervas aromáticas e plantas medicinais), pelos caucheiros peruanos e soldados bolivianos. Além das doenças transmitidas pelo homem branco, em que o índio não tinha nenhuma resistência física para essas enfermidades, e assassinatos cometidos por capangas de fazendeiros a partir dos anos 70. Os caucheiros eram nômades, por isso se constituíram num dos principais inimigos dos indígenas, já que eram impelidos a desbravação contínua de novos territórios. As “correrias” eram organizadas por seringalistas que reuniam até 50 homens armados para atacarem as aldeias, matavam os líderes, escravizavam vários índios e cooptavam as índias para servirem de mulheres no seringal.
Entre os órgãos indigenistas mencionados, existe a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) que foi criada em 1967 e instalada no Acre em 1976, com o objetivo de prestar assistência as comunidades indígenas, vitimas das empresas agropecuárias. Durante muitos anos, a FUNAI limitou-se a delimitar terras indígenas, ao invés de demarca-las. Atualmente no Acre existem 17 terras indígenas esperando por demarcação. A assistência médica aos índios também ainda é muito precária. Atualmente a política da FUNAI é de que não sejam feitos contatos com os índios isolados, apenas os localizando e delimitando a área na qual vivem para impedir a entrada de brancos.
Outros órgãos foram criados para subsidiar a luta indígena como a Comissão Pró-índio (CPI/AC), Conselho de Missão entre Índios (COMIN), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a União das Nações Indígenas do Acre (UNI), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e em 2000 foi criada a Organização dos professores indígenas o Acre (OPIA) com o objetivo de promover a educação escolar indígena de forma diferenciada.
Existem outros movimentos e organizações indigenistas atualmente que você pode encontrar nesse link: pib.socioambiental.org

Embora existam esses movimentos e organizações de orientação e auxilio as questões indígenas, ainda é muito pouco comparado as ações que necessitam ser feitas nas aldeias e comunidades. E esse é um ponto que me tocou muito durante o tempo que passei por lá. Existem muitas consequências desastrosas de toda essa história de conflitos territoriais e do contato brusco com o homem branco.  
Eu fiz alguns registros com imagens e vídeos das dificuldades que encontramos nas aldeias que tivemos a oportunidade de conhecer. Eu gostaria muito de compartilhar com vocês essas questões e quem se sentir tocado como eu, que possa ajudar de alguma maneira. Esses são pontos que quero aprofundar mais pra frente, com calma e de forma detalhada.

Eu contei um pouco da história do Acre, para compreendermos a importância que esse lugar tem na história do nosso país. Como seu território foi explorado e seu povo abandonado pelo governo. Os diversos conflitos que sucederam no Acre, foram incitados pela própria política econômica brasileira de extração da borracha e seu interesse em dizimar as comunidades indígenas.
Não tem problema fazer memes com o “menino do acre”, até porque ele pediu e com certeza agora esta morrendo de rir com a grana que ele ganhou nessa brincadeira, mas parem de ofender o povo acreano, que tem muito para nos ensinar e merece ser lembrado pelas suas raízes históricas, sua cultura e tradição.




quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A escritora esta de volta!

Depois de dois meses viajando pelo Acre e pelo Peru por terra, estou de volta a São Paulo, a boa e velha cidade de concreto e pessoas atarefadas.
Hoje faz uma semana que voltei de viagem... cheguei na rodoviária da Barra Funda ainda desnorteda dos três dias direto de ônibus. Ao mesmo tempo que sentia uma enorme saudades da minha casa e uma leve euforia por estar de volta, começava a sentir uma nostalgia e muitas saudades de tudo que vivi nesse tempo.
Decidi escrever nesse blog... um velho sonho antigo e que um dia até foi colocado em prática... há alguns anos atras eu criei esse mesmo blog, mas usava uma assinatura com o codinome "Tati"... Na verdade eu sempre fui muita crítica comiga mesma, achava que não escrevia bem o bastante para que alguém se interessasse ou soubesse que eu escrevia.. Mas sempre senti necessidade de me expressar, de contar, nem que fosse pra mim mesma sobre mim... rs.
Hoje, meu projeto é um pouco mais ousado rs. Fiquei refletindo há uns dias atras sobre o quanto esse mundo da tecnologia tem contribuído para levar e trazer todo tipo de informação. Tem também o lado não muito legal disso tudo, mas pensando exclusivamente em como podemos compartilhar idéias, aprendizados e experiências da nossa vida, imagino que algumas informações possam ajudar outras pessoas... assim como também já me ajudou muito em vários momentos, nessa amarga vida solitária de São Paulo.
Nesses dois meses de viagem, passei por muitas experiências que gostaria de compartilhar. Uma delas - maravilhosa e muita intensa, foi a vivência de quinze dias na floresta, pelas aldeias do Acre, aprendendo um pouco da cultura dos indíos da etnia Huni Kuin.
Foram só quinze dias floresta adentro, mas que bastaram pra mudar toda uma vida de trinta anos e fazer grandes amigxs :)
Conheci algumas aldeias do rio Humaitá e pude registrar com a camera alguns momentos dessa vivência, momentos das cerimonias, de como eles se arrumam maravilhosamente com seus artesanatos, como são alegres e cantam encantando a todxs, como trabalham pesado todos os dias, como lutam para manter sua cultura e tradição vivas... Fui recebida com muito carinho, ainda que com um pouco de timidez no inicio - acho que um pouco dos dois lados rs... Mas sempre com muito carinho e atenção. Participei das cerimonias com Nixi pae (ayahuasca), e recebi trabalhos incriveis de cura com os pajes e outras medicinas. Tive a oportunidade de passar para eles um dia de oficina de introdução aos jogos do Teatro do Oprimidx, e a galera participou de coração aberto e muita disposição. Conheci muita gente bacana, fui bem acolhida, ouvi muitas histórias e tive grandes aprendizados.

Eu me sinto honrada de ter participado dessa vivência e sou muito grata ao Txai Tuim Nova Era, liderança da aldeia Boa Sorte e um guerreiro da luta de seu povo, que me fez esse convite e já é um querido que faz parte de toda essa transformação.
Durante essa estadia nas aldeias, pude perceber também que ainda faltam algumas coisas essenciais na estrutura da comunidade e que existem inumeras dificuldades, como por exemplo, para se locomover até a cidade, começando pela pequena quantidade de barcos disponiveis. Nós combinamos que através dos registros, buscaríamos parceria para contribuir nas melhorias da estrutura das aldeias da região, e na difusão da história de resistência e cultura tradicional do povo Huni Kuin.
Em breve divulgarei todxs os registros dessa experiência, informações dos projetos e aos poucos vou compartilhar os aprendizados e as histórias dessa viagem mucho loca ;)
Tem também os registros e histórias do Peru, de Machu Picchu e da cultura Inca, que fica pra segunda parte.
Como eu mencionei no início, eu sempre fui muito autocrítica comigo mesma, e como parte de toda essa transformação, eu resolvi escrever, e agora sou também artesã e fotografa, continuo sendo atriz/oficineira/produtora e eterna aprendiz do grupo de teatro que faço parte - Coletivo Garoa, estudante de vestibular nas horas vagas (eu sei gente, mas eu odeio estudar exatas, ta foda!), estudante da vida, da sociedade e dos cosmos (simm, sou de humanas!), porque eu decidi assim e assim que vai ser! ;P
Em Abril, no mês do meu aniversário de trinta anos, eu resolvi mudar radicalmente de vida e larguei meu trabalho quase estável para viver outras aventuras. Desde os meus 19 anos pago minhas contas com a profissão de Representante Comercial e aprendi a ganhar relativamente bem nessa area.
Mas como boa ariana que se preze, não via mais sentido em continuar minha vida trabalhando que nem louca só pra pagar contas... embora nesse mundão capitalista não tenha muito como fugir disso... mas eu ja estava descontente com essa vida, e uma ariana descontente é uma ariana morta rs.
Foi então que dei os primeiros passos e na verdade ainda estou engatinhando para descobrir outras formas de se viver a vida, de usar o nosso tempo sagrado com coisas que realmente façam algum sentido.
E é essa caminhada que pretendo seguir daqui pra frente, compartilhando e trocando informações com vocês!
Essa semana terão mais novidades sobre a viagem e toda essa loucura boa, aguardem!
Obrigada pra quem leu até aqui! É nois ;)
Beijos e até breve!


   Trabalho de cura com os pajes e as medicinas da floresta




















História de resistência do povo Guarani Mbya

Ola pessoas! Como vão vocês? Primeiramente um #foratemer pra não esquecermos que temos um presidente que não foi escolhido pelo povo, toma...